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  • Paula Brandao

Matilda - O óbvio do óbvio


Existem umas coisas na vida, que quem não acredita acaba pelo menos fazendo uma expressão de “será?”.

Vamos, em primeiro lugar e primeira e única instância, definir a palavra “óbvio”. Pelo dicionário: que salta à vista, claro, manifesto, evidente, patente, visível. Não há o que contestar, duvidar, questionar ou até mesmo blasfemar. Óbvio é óbvio e pronto.

Continuando o raciocínio inicial deste texto. Algumas pessoas teimam em arguir sobre fatos e baratos. “Matilda, você vai de carro?” A Matilda está dentro do carro, pronta para dar um tchau para ir à próxima aventura. “Você vai comer este doce?” E quem está à frente do indagador? Matilda está com um baita pedaço de doce de leite, metade dentro da boca, metade para o lado de fora. Seria óbvio? Ou então “Matilda, você está com o pé machucado?”. E a coitada da Matilda, naquele momento de folga, olha para seu pé com curativo. “Matilda, vai comprar uma água de coco?” O coco da Matilda até cai no chão de tanto susto. Matilda era assim, com sua vida em vários episódios.

Também há situações que de tão explicáveis, inexplicáveis ficam. Alguém perguntou para a Matilda se ela convivia com seu irmão. E ela respondeu que sim, que os dois eram parecidos, e que davam certo. Matilda estava na água e alguém pestanejou “Essa água está molhando?” Ah?! Matilda soltou, logo em seguida ao discurso intelectual. ”Podemos antecipar para antes essa frase”, discutiu deixando o ouvinte sem entendimento algum, pois era totalmente desconectada do contexto. Só se viu um riso solto lá atrás de Irma, sua prima, sem entender nada também. Irma ligou para a amiga e, quando a amiga atendeu ao telefone, ela perguntou “Você está em casa?” e Matilda respondeu de longe: “Não!!” Era a resposta mais lógica e óbvia.

O fato é que Matilda, aventureira por natureza, complexa em seus pensamentos, foi ao centro da cidade para resolver um assunto urgente. Encontrou um primo e os dois rumaram para o pedaço mais popular da cidade, em busca de um tal cachecol colorido, moda naquela ocasião. Falaram sobre vários assuntos, comentaram sobre os dramas e seus cotidianos e até viram um objeto não identificado no céu da cidade grande, fazendo um movimento sentido vertical e diagonal da direita para a esquerda. E o tal objeto possuía duas luzes. Que-pis-ca-vam! E la´ se foram, andando em círculos na avenida grande até o local de adquirir o danado do cachecol, enrolando-se na expectativa do objeto não identificado, que sumiu em questão de segundos. Chegando lá, Matilda ficou a esperar, enquanto o primo imediatamente procurava o cachecol. Foi quando o telefone de Matilda tocou e era o primo. Ele perguntou: “Tem apenas um. Posso comprar? “ O que diria o óbvio do óbvio, já que esse era o propósito da saída em pleno meio do dia? O pior é que Matilda ainda contestou: “Você vai dividir comigo?”. Melhor abstrair a conversa. Eles não estavam em sã consciência não, pois teriam que cortar ao meio o produto.

Continuaram o caminho, observando o objeto que rodou em frente aos olhos dos dois, deixando Matilda parada em frente à entrada da rodoviária, dando oportunidade para um mosquito quase pousar em seu nariz. A rodoviária da cidade era grande, os carros obstruíam um pouco o caminho, mas os dois não se importaram, estavam confabulando sobre o acontecido, pois Matilda era cheia das teorias que envolviam dia, mês e ano e os objetos estranhos no céu. Achava que tudo estava relacionado. De repente, alguém gritou: “Corram!”, e os dois saíram em disparada, retirando risadas do rapaz que fez a brincadeira e queria apenas assustá-las. O que restou do céu nublado foi a imagem do objeto e a frase: “Onde está o cachecol?” E logo veio a resposta: “Perdi!”, indagou o primo. Seria isso o óbvio do óbvio do óbvio?

E assim permaneceram, um olhando para a cara do outro, rindo sem parar.

E então passando por eles, uma moça resplandeceu a frase para um amigo: “Rei, olha o que eu achei ali no chão!” E lá se foi, enrolada no pescoço com um cachecol colorido de última moda.

O que restou para Matilda e o primo? O óbvio do óbvio. Arrumar as trouxas da conformidade e voltar para onde o vento levou o objeto não identificado.

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