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  • Paula Brandao

Matilde Sofia - Comida japonesa


Matilde Sofia sempre primou pela sua autenticidade. Gosta de inovar em todos os aspectos. Sempre com uma ideia nova, tenta levar a vida com alegria e uma certa displicência. Foi nesse contexto de inovação que ela resolveu fazer um curso de comida japonesa. A arte oriental encanta Matilde Sofia, que é totalmente adepta aos sabores culinários vindouros desta parte do planeta. O diferencial é que ela estava acostumada a ir ao restaurante de um conhecido da família e, sempre que fazia o pedido, pedia a mesma coisa. E foi assim que começou a confusão no dia do curso.

Matilde Sofia convidou o amigo aproximo para participar, já que ele tinha a intenção de estudar gastronomia. Chegaram cedo no local, levando um avental igual, imaginando que faria parte de algum grupo de participantes. Mas, quando o professor apareceu no recinto, que tinha dez alunos, ela percebeu que a história seria um pouco diferente.

Primeiro ele explicou sobre a cultura oriental, o que deixou Matilde Sofia desconfiada, pois a explicação foi tão complexa e profunda, que ela não sabia mais se seu paladar para comida japonesa era o suficiente para estar ali. O amigo de Matilde Sofia sorria.

Logo após a explicação, o professor entregou um “folder” com vários nomes do tipo “tekkamaki, ebimaki, shakemaki, kappamaki, magurô, skin” e mais uma lista enorme de ingredientes culinários típicos utilizados na hora do preparo. Matilde Sofia pegou o material e folheou dezessete vezes, tentando entender o princípio, o meio e o fim, mas, principalmente, o que ela estava fazendo ali.

Na terceira explicação, o professor apresentou os utensílios domésticos e, após quinze minutos de curso, Matilde Sofia tinha uma pilha de vasilhas, facas e outras coisas na frente dela e, quando olhou para o lado, o amigo já havia organizado tudo com estilo e primor. De repente, um dos alunos espirrou atrás dela, gerando um susto inesperado em Matilde Sofia que deu, instintivamente, um salto para frente, esbarrando na pilha de coisas e derrubando tudo no chão. O professor olhou assustado e ela não sabia se lia o material, catava tigela ou saia correndo.

O amigo de Matilde Sofia ajudou com a organização e a aula prática começou. O professor ensinou sobre os cortes, as combinações de temperos e ditou a regra: “faremos um anpan”.

“Anpan?” E foi assim que Matilde Sofia teve uma crise de riso, bem no meio da instrução, pois achou o nome engraçado e ainda estava procurando no material escrito o que ela tinha que fazer para começar a entender aquilo tudo. Imediatamente pediu desculpas ao professor, que interpretou o riso de Matilde Sofia como desespero, já que ela, havia cortado em cubos abstratos e misturado uns ingredientes em uma vasilha, na tentativa de adiantar o expediente, mas sem perguntar para o professor para o que serviam.

O amigo de Matilde Sofia ficou vermelho de vergonha, pois estava levando com seriedade e no fundo sabia que ela também estava, porém como ela tinha uma personalidade divertida, imaginou que não conseguiria extrair outra reação da amiga, senão o riso de desespero.

O professor continuou a explicação, enquanto os alunos, que já tinham certa experiência, acatavam aos ensinamentos orientais e cumpriam cada etapa com maestria. Matilde Sofia fez o possível e o impossível para acompanhar o grupo, esforçando-se para que tudo saísse de acordo.

O curso duraria o dia todo e quando chegou por volta de três e meia da tarde, o professor anunciou que iria avaliar o trabalho de todos. O primeiro a ter seu trabalho avaliado foi um rapaz novo, que já trabalhava em um restaurante e estava ali apenas aprimorando a técnica. O segundo, um outro rapaz iniciante, porém de família oriental e por isso já possuía conhecimento suficiente. O terceiro foi o amigo de Matilde Sofia, cujo talento impressionou o professor, que convidou-o para mais um curso após esse. Via perspectiva profissional nele. Logo após, Matilde Sofia, que tinha em um prato uma mistura amassada de peixe, enrolada em alga, formando uma espécie de bolo inexplicado. Ao lado, um pão embatumado, cujo gosto era uma mistura de farinha com algum ingrediente que ela errou na dose. E, para finalizar, uma fritada em cascata, que mais parecia uma carreata de camarões desesperados.

O professor parabenizou Matilde Sofia pela sua dedicação e esforço, reconhecendo a falta de talento mas a atitude pró ativa dela. E, ao finalizar a análise, completou: “muito bom o gosto do seu sakê!”

E a partir deste dia Matilde Sofia postou nas redes sociais que era uma exímia apreciadora da comida oriental e "expert" no assunto, cuja abstração de gostos e formas a encantava todos os dias.

Arigatô!

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